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ENTREVISTA

    Apesar de aparecer pela primeira vez nas empresas entre os anos 1920 e 1930, o termo antropologia corporativa – tema de masterclass do MBA em Neuroestratégia e o Pensamento Transversal, da Proamb e da Esic Business School – suscita um certo debate para ser compreendido nos tempos modernos.

    E isso porque a tecnologia amplificou seu uso e como ele pode ser empregado nas corporações. “A nossa intenção é gerar metaconhecimento”, diz o professor da disciplina, Leandro Mattos. Para ele, isso tem grande importância no preparo de lideranças e dos próprios colaboradores – da base ao topo –, na mediação de conflitos e na concepção de estratégias corporativas, porque entende o ser humano não apenas como um recurso, mas como um ser racional pautado por emoções.

    Entender como ocorreu a evolução do pensamento dentro das empresas, a partir do comportamento humano, é chave para compreender esse processo. Segundo o professor, todo comportamento é resultante de uma reação a algum estímulo e ele pode acontecer de forma consciente ou inconsciente. O problema é quando isso ocorre da segunda maneira. “É um perigo porque você pode estar ou não acertando, acreditando que está acertando, e isso acontece porque temos alguns conhecimentos que nasceram com a gente”, comenta.

    O problema desse “conhecimento embarcado”, de acordo com o professor, é que ele pode provocar o chamado viés cognitivo, ou seja, um erro de pensamento. Quando diante de determinado problema, o cérebro gasta muita energia – 20% do gasto energético do corpo é demandado pelo cérebro – pensando numa solução, e isso é incômodo. Então, ele cria um mecanismo de defesa para economizar essa energia. “É por isso que utilizamos o mesmo caminho para ir ao trabalho todos os dias”, exemplifica. “O cérebro cria um hábito, e quando cria um hábito você não pensa. Quando ele entra nesse modo de economia de energia, pode gerar o tal viés cognitivo”.

    No ambiente corporativo, isso influencia diretamente na liderança e em liderados e nas relações interpessoais. “É preciso observar, além do comportamento, o que motivou determinado comportamento”, ensina Mattos. Para ele, é preciso compreender o contexto que envolve a evolução humana para entender alguns processos comportamentais da sociedade de hoje. Segundo ele, apesar de a evolução humana ter 55 milhões de anos, o homo sapiens surgiu há 300 mil anos e, desde então, não houve uma evolução biológica – somente cultural. Diz, ainda, que há apenas 10 mil anos o homem deixou de ser nômade e começou a plantar, e lembra que a revolução industrial ocorreu há 200 anos e a digital, há 20. “Nós saímos das cavernas, mas as cavernas não saíram da gente. Esse comportamento instintivo explica a disputa do poder, o tal do machismo. Na época das guerras o homem ainda tinha mais peso na sociedade, mas há quanto tempo não temos mais guerra na sociedade?”, questiona.

    Com a tecnologia de hoje, aliada a ciências como a psicologia, é possível avançar em algumas questões comportamentais. “Via neurociência, conseguimos entender o ser humano antes de ter o comportamento, entender a alteração fisiológica e cognitiva com alguns instrumentos, saber como ele se sente, e com a observação disso chegamos a uma informação mais rica para entender o ser humano”.

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