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A Ética e a Filosofia nas organizações

Por Alex Sugamosto

    Ao contrário do que imagina o senso comum, nossas visões de mundo não são espontâneas: elas carregam um histórico permeado por debates cuja gênese, normalmente, está no pensamento filosófico.

    Por ser uma atividade voltada para as questões fundamentais da vida humana, a Filosofia tem uma grande aplicabilidade em diversos setores.

    Desse modo, desenvolveram-se duas grandes correntes de aplicação empresarial no segmento conhecido como Filosofia Organizacional: a Governança Corporativa e a Ética.

    A governança trata de questões importantes que versam sobre como uma determinada empresa se apresenta para a sociedade, o que ela busca e o que deve ou não fazer. Modernamente, a responsabilidade social está em voga. Sendo assim, findou o tempo em que as organizações poderiam apenas buscar o lucro: elas precisam estar inseridas em sua comunidade, estar ciente das necessidades gerais de sua cidade, estado e país, para, dessa forma, buscar a sustentabilidade do negócio.

    A outra aplicação da filosofia organizacional é a Ética. Tendo em vista que conselhos formais de ética são raros dentro das empresas, é necessário estabelecer, pelo menos, um código básico de conduta. Mas a partir de quais pressupostos organizamos um código de conduta? Por exemplo: a organização não pode admitir o racismo, o machismo, precisa equacionar a convivência entre pessoas que seguem fés distintas... como lidar com problemas tão complexos? Um debate concreto sobre esses tópicos precisa ser fundamentado pela filosofia.

    Aliás, é também a reflexão ética que fornecerá as ferramentas para retomarmos uma prática fundamental: o diálogo. A partir da arte de dialogar, conversar e debater, conseguimos atingir, de forma civilizada, pontos comuns a partir de denominadores totalmente diferentes.

    Usualmente, definimos a Ética como uma reflexão sistemática sobre a moral e sobre as decisões que tomamos. As pessoas costumam pensar que a Ética é um Código de Conduta, uma lista de deveres ou um conjunto de leis. Mas não é disso que se trata. A Ética nos dá ferramentas para refletir sobre as condutas. No Brasil, por exemplo, nós acompanhamos o caso de algumas empresas que faliram por conta de desvios operacionais. Essa é uma boa referência dos problemas gerados por condutas irregulares, dado que em nenhum momento o alto escalão dessas corporações questionou suas linhas de decisão e tampouco discutiu até que ponto aceitariam a pressão de determinados grupos de lobby.

    Para existir uma discussão sobre Ética dentro das empresas, é preciso, antes de tudo, disposição para debater o tema. É comum, por exemplo, que grandes corporações passem anos tendo problemas com assédio moral. Como o assunto nunca é mencionado, a prática passa a ser legitimada e os atos ilícitos continuam ocorrendo como prática comum.

    A palavra Ética também está ligada ao modo de se fazer algo. Uma atitude antiética dentro das organizações tem reflexos que não se restringem ao ambiente corporativo. Há um impacto social e humano elevado, pois os seres humanos agem em diversos cenários e levam seus atos para onde quer que estejam.

    Alex Sugamosto é professor de Filosofia Organizacional e Ética e Consultor da El-Kouba Consultores Associados. Ele é um dos docentes confirmados para ministrar uma disciplina na segunda turma do MBA em Neuroestratégia e o Pensamento Transversal, que a Fundação Proamb oferece com exclusividade no Rio Grande do Sul, em parceria com a escola de negócios espanhola Esic Business & Marketing School. As aulas iniciam em março, em Bento Gonçalves.

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